A dor cervical vem aumentando consideravelmente nos últimos anos e ainda mais neste cenário de pandemia. Antes de nos depararmos com esta realidade, já estimava-se que 50% dos indivíduos adultos experimentarão dor cervical em algum momento da vida¹, sendo que 75% destes terão recorrência da dor nos cinco anos seguintes².
Com as adaptações dos hábitos de vida e rotina atribuídas ao isolamento social, aumentou o sedentarismo, intensificou o uso de eletrônicos, além do aumento da tensão e do estresse pelas incertezas do momento e no acúmulo de funções, incluindo os afazeres domésticos, aulas remotas de adultos e crianças, e o novo formato de trabalho.
Dor cervical
Contudo, o surgimento da dor cervical ocorre por diversos fatores e é totalmente esperado que haja um aumento da queixa desta disfunção quando as adaptações do contexto de vida possuem pontos em comum, como o sedentarismo, a má postura e o estresse, já que são hábitos que podem reduzir a força dos músculos flexores e extensores da região cervical, aumentar a hiperatividade, aumentar a fadiga dos músculos flexores do pescoço, limitar a amplitude de movimento, levar a anteriorização cervical, reduzir a sensibilidade, e consequentemente, surgir a presença de dor.
Nas disfunções cervicais, a dor geralmente é o sintoma mais frequente, estando relacionada aos esforços repetitivos e à manutenção de posturas inadequadas no cotidiano, que acarretam microtraumatismos às vértebras cervicais e aos tecidos moles periarticulares.³ A manutenção de posturas inadequadas pode levar a dor e a alteração funcional em vários sistemas⁴, mas alterações posturais da cabeça estão muitas vezes associadas a permanência ou persistência de dor cervical. A postura anteriorizada da cabeça pode ser à queixa mais frequente desse tipo de dor⁵, devido a sobrecarga dos músculos cervicais posteriores na tentativa de manter o equilíbrio da cabeça sobre a coluna.
Queixas de dor cervical podem ser consideradas um dos mais onerosos problemas músculo-esqueléticos com enorme impacto sobre a saúde e qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade como um todo⁶. Portanto, vale ressaltar que as adaptações do cenário atual devem considerar a atribuição do exercício físico para redução do sedentarismo e estresse, além de elaborar um ambiente confortável e o mais ergonômico possível para as rotinas de trabalho e demais atividades dentro de casa.
Como melhorar o seu home office e evitar as dores cervicais?
- Atentar-se a altura da cadeira, da mesa e do aparelho eletrônico de modo que o corpo se mantenha alinhado entre as articulações;
- A cada uma hora na mesma posição, dar uma breve circulada pelos ambientes da casa;
- Realizar exercícios que podem ajudar a atenuar as queixas de dor na coluna cervical, tais como:
- Fortalecimento dos flexores e extensores profundos da cervical
- Fortalecimento dos flexores e extensores superficiais da cervica
- Exercícios de mobilidade articular da coluna cervical e torácica
- Exercícios de alongamento da coluna cervical e torácica
- Reeducação de movimento
Referências bibliográficas
- Hogg-Johnson S, Van der Velde G, Carroll LJ, Holm LW, Cassidy JD, Guzman J, et al. The burden and determinants of neck pain in the general population: results of the bone and joint decade 2000-2010 task force on neck pain and its associated disorders. J Manipulative Physiol Ther. 2009;32(2 Suppl):S46-60.
- Carroll LJ, Hogg-Johnson S, Van der Velde G, Haldeman S, Holm LW, Carragee EJ, et al. Course and prognostic factors for neck pain in the general population: results of the bone and joint decade 2000-2010 task force on neck pain and its associated disorders. J Manipulative Physiol Ther. 2009;32(2 Suppl):S87–96.
- Armijo Olivo S, Magee DJ, Parfitt M, Major P, Thie NM. The association between the cervical spine, the stomatognathic system, and craniofacial pain: a critical review. J Orofac Pain. 2006;20(4):271-87.
- Yip CH, Chiu TT, Poon AT. The relationship between head posture and severity and disability of patients with neck pain. Man Ther. 2008;13(2):148-54.
- Bonney RA, Corlett EN. Head posture and loading of the cervical spine. Appl Ergon. 2002;33(5):415-7.
- Kapreli E, Vourazanis E, Billis E, Oldham JA, Strimpakos N. Respiratory dysfunction in chronic neck pain patients. A pilot study. Cephalalgia. 2009;29(7):701-10.
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