Há alguns anos as pesquisas acerca da saúde intestinal e da microbiota intestinal vem se intensificando e mostrando resultados incríveis, que mostram que o nosso intestino é de extrema importância para a nossa saúde em geral. E o cuidado com o intestino vai muito além de apenas observarmos a frequência de evacuação.
Os estudos mostram que a microbiota intestinal está relacionada à diversos aspectos da saúde humana, tanto imunológicos, quanto metabólicos e neurocomportamentais.
O que é a microbiota intestinal?
Nosso trato gastrointestinal compreende naturalmente trilhões de bactérias, vírus e fungos. A microbiota é a comunidade de micro-organismos que habita determinado ambiente.
Enquanto algumas bactérias estão associadas com doenças, no nosso intestino encontramos diversas bactérias que são extremamente importantes para a nossa saúde. Essa população gigantesca de micro-organismos funciona como um órgão extra em nosso corpo e atuam de forma crucial em nossa saúde.
Como o microbioma intestinal afeta nossa saúde?
O microbioma humano, que envolve os micro-organismos que habitam o intestino, a boca, a pele, a vagina, a orelhas, dentre outras cavidades, é um ecossistema que vem evoluindo desde o início dos tempos. Ele está envolvido com nossas funções celulares de diversas formas.
A saúde deste microbioma, ou seja, a quantidade e a variedade das espécies que compõem esse sistema, é crucial para a manutenção da saúde do seu hospedeiro, o humano.
Qual a importância do intestino para a nossa saúde?
Os estudos mostram que há uma profunda ligação entre o intestino e diversos outros sistemas, ou seja, com a saúde do organismo como um todo.
Muito além da importância na função digestiva, um intestino saudável é importante para outras funções, tais como:
- Colaborar com a produção de vitaminas e fermentação de substratos não-digestíveis: ao produzir esses substratos, o intestino produz os aminoácidos de cadeia curta, que são importantes para a manutenção da saúde do intestino e parecem estar envolvidos com a prevenção de canceres, prevenção de obesidade induzida por dieta, prevenção de diabetes, redução na resistência insulínica, além do envolvimento no apetite e controle de ingestão alimentar;
- Ajudar no bom funcionamento do cérebro: estudos recentes mostram que o microbioma intestinal também pode afetar o sistema nervoso central, que controla as funções do cérebro. No intestino ocorre a síntese de 90% de triptofano, que é um aminoácido utilizado na produção de neurotransmissores, como a serotonina, envolvida na depressão, ansiedade e compulsão alimentar.
- Cuidar do sistema imunológico: no intestino ocorre a produção de imunoglobulinas, que são células de defesa. Além disso, o nosso intestino possui vilosidades que controlam a permeabilidade de nutrientes e barram a entrada de substâncias nocivas, como vírus e bactérias indesejados. No entanto, quando há comprometimento dessas vilosidades, o sistema imunológico fica em risco e o microbioma pode ser alterado (disbiose).
(Falamos aqui sobre a importância da nutrição para a nossa imunidade: https://merakibemestar.com.br/importancia-nutricao-imunidade/)
O que interfere na saúde intestinal?
Sabe-se que o estilo de vida é crucial para determinar a saúde intestinal de cada um. Estudos sugerem que, principalmente, a dieta, o uso de medicamentos (como antibióticos e inibidores da bomba de prótons, ex: omeprazol), o estresse, o uso de álcool, bem como infecções, têm uma forte influência na composição da microbiota.
Os estudos mostram algumas características da dieta são importantes para a boa saúde intestinal: dietas ricas em fibras e prebióticos, deitas veganas e aquelas ricas em polifenóis e queijos aumentaram a população de bactérias que trazem efeitos positivos para a saúde do hospedeiro. Por outro lado, o uso abusivo de adoçantes, de pesticidas e de aditivos alimentares podem desequilibrar e alterar a diversidade da microbiota intestinal.
Então, como a dieta pode melhorar o microbioma intestinal?
Como dito, para cuidarmos da nossa saúde intestinal precisamos rever nosso estilo de vida. A frequência de evacuação não necessariamente reflete a saúde intestinal, ou seja, posso evacuar sem intercorrências diariamente, mas o meu microbioma intestinal estar comprometido.
– Consuma uma dieta diversificada, com alimentos ricos em fibras e alimentos integrais, que promovem o crescimento de bactérias boas.
– Além disso, o consumo de polifenóis (antioxidantes presentes no vinho, no chocolate amargo, no chá verde, etc) também estimula o crescimento de bactérias benéficas para o organismo.
– Evite o consumo de adoçantes artificiais, pois estes estimulam o crescimento de bactérias não saudáveis no intestino, podendo causar um aumento rebote na glicemia.
Consulte um nutricionista para a personalização de um plano alimentar que cuide da sua saúde e do seu intestino, de forma específica para você e para as suas necessidades.