COVID-19 e Assoalho Pélvico

Covid e assoalho pélvico

O que que tem um a ver com o outro? Apesar de ser uma doença muito nova, com estudos sendo feitos e publicados a cada momento, já se sabe das consequências que a COVID-19 tem nos sistemas respiratórios, neurológico, cardiovascular, gastrointestinal, mas e a parte muscular? E especificamente o assoalho pélvico? O que já sabemos sobre isso?

No nosso corpo temos o músculo do diafragma, que é um dos principais responsáveis pela respiração. Quando puxamos o ar o diafragma se contrai e desce, para permitir o enchimento dos pulmões. Quando isso acontece, temos um aumento da pressão dentro do abdômen, que acaba repercutindo no assoalho pélvico, o levando um pouco para baixo e dificultando a sua contração. Por outro lado, ao soltarmos o ar, o diafragma relaxa e sobe, deixando de aumentar a pressão abdominal e, portanto, “liberando espaço” para que o assoalho pélvico consiga se ativar melhor. E o que isso tem a ver com os sintomas da COVID-19?

Sintomas da COVID-19 e o assoalho pélvico

Um dos sintomas principais dos pacientes com COVID-19 é a tosse. A mesma, assim como a respiração, aumenta a pressão dentro do abdome, porém quando comparado à respiração normal, é um aumento muito mais significativo. Sendo assim, haverá uma sobrecarga no assoalho pélvico, dificultando ainda mais a sua ativação. Além disso, em um estudo publicado em outubro de 2020, foi levantada a hipótese de que essa sobrecarga em um quadro de tosses frequentes e por vários dias, poderia resultar em pequenos microtraumas musculares no assoalho pélvico, o que, a longo prazo, pode levar à incontinência urinária, além de tornar as pessoas mais suscetíveis ao desenvolvimento de disfunções pélvicas.

Ainda, outro sintoma que pode aparecer, por causa da falta de ar e a dificuldade respiratória é uma respiração mais curta, o que nos leva a soltar o ar com mais força. Essa situação leva a uma maior contração do assoalho pélvico (lembrando que ela é facilitada na expiração), porém, se repetida muitas vezes durante todo o período da doença, pode levar a um aumento de tensão no assoalho pélvico. Um assoalho pélvico tenso pode ter relação com quadros de dor na região pélvica, mais vontade de fazer xixi e problemas de evacuação, como a constipação, além da fadiga muscular, o que pode atrapalhar seu funcionamento de forma eficiente.

Essas alterações podem afetar muito a vida das mulheres e quanto antes forem detectadas, melhor. Por isso, o ideal é fazer uma avaliação da musculatura do assoalho pélvico e da sua função antes de retornar à atividades que possam sobrecarregar ainda mais a região, como a prática de exercícios. Claro que por ser uma doença muito recente, esses estudos ainda são preliminares e com certeza ainda sairão mais atualizações com estudos mais robustos. Mas mesmo assim, melhor prevenir do que remediar, não é?

REFERÊNCIAS

1. Siracusa C, Gray A. Pelvic Floor Considerations in COVID-19. J Womens Health Phys Therap. 2020;44(4):144–51.

Saiba mais: A Importância da Nutrição para Imunidade

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