Durante a prática de atividade física, podemos nos deparar com diversas sensações que variam desde bem estar relacionado a secreção de endorfinas, a queimações e dores. No caso da última quando saber quando as dores realmente podem ser algo além do incomodo muscular do treino?
As dores mais comuns relacionadas ao treino mais são as dores musculares tardias, dores ao movimento relacionadas a microlesões no tecido muscular que ocorrem com um estímulo de treino novo ou mais intenso. Essas dores tendem a começar 12 horas após a atividade física, atingindo seu pico em 2-3 dias podendo chegar a durar até 5-7 dias. Essas dores são autolimitadas ou seja, passam sozinhas. Algumas intervenções como massagem e drenagem linfática tem um papel interessante na redução nessas dores aliviando os sintomas e diminuindo sua duração. Muitas pessoas costumam tomar anti inflamatórios pós atividade física com o intuito de não sentir a dor muscular tardia, porém hoje em dia sabe-se que o uso de anti-inflamatórios pós treino a longo prazo reduz os ganhos de força e massa muscular.
Esse tipo de queixa é comum e faz parte da vida dos atletas ou praticantes de atividade física, sendo somente um indicativo de que o treino foi intenso. Existem situações nas quais a dor durante o treino indica uma alteração mais séria do tecido muscular, por exemplo o “sinal de pedrada” no qual o atleta durante uma atividade de arrancada sente como se sofresse o impacto de algum objeto na região da panturrilha ou no posterior de coxa. Usualmente esse sinal está relacionado a uma lesão muscular mais grave onde ocorre a ruptura parcial ou total das fibras musculares. Após a sensação de pedrada o indivíduo tende a relatar uma dor local, com aparecimento de hematoma nos dias seguintes e possivelmente uma falha na continuidade do músculo. Nesses casos a dor não melhora em uma semana e sim tende a ficar presente por semanas. Nesse caso é indicada a procura de um profissional de saúde para avaliar a gravidade da lesão.
Um dos fatores mais importantes para se evitar lesões e dores relacionadas ao treino é o controle da carga, que pode ser medido pela duração do treino e sua intensidade. O aumento muito brusco dessas características de treino pode levar alterações negativas dos tendões (porção distal do músculo que se insere ao osso). A dor relacionada a alterações nos tendões podem se apresentar de algumas maneiras, dores que incomodam no início do treino, melhoram e voltam a piorar ao fim da atividade, ou dores próximas as articulações que pioram com a atividade física. Esse tipo de queixa tende a melhorar com o repouso, porém ao voltar a atividade física a dor retorna ao mesmo nível. Usualmente o tratamento desse problema passa por um fortalecimento progressivo para que os tendões suportem bem a carga imposta pelo treino. No caso das tendinopatias a dor começa como um incomodo e vai aumentando progressivamente e se tornando mais limitante. Nesses casos entender a intensidade da dor e quando parar se torna uma ferramenta importante para o manejo das lesões.
Existem pequenas dicas para saber quando parar sua atividade física por dor e buscar ajuda de um profissional de saúde, quando sua dor aumenta progressivamente, não melhora com repouso, retorna assim que retoma a atividade física são indicativos de que o problema merece atenção e deve ser avaliado por um profissional. Sabendo identificar suas queixas dessa maneira torna o treino muito mais leve e tranquilo.
Referências:
https://www.hopkinsmedicine.org/orthopaedic-surgery/about-us/ask-the-experts/pain.html
Hotfiel, T., Freiwald, J., Hoppe, M., Lutter, C., Forst, R., Grim, C., … Heiss, R. (2018). Advances in Delayed-Onset Muscle Soreness (DOMS): Part I: Pathogenesis and Diagnostics. Sportverletzung · Sportschaden, 32(04), 243–250. doi:10.1055/a-0753-1884