História das Olimpíadas
As Olimpíadas são o maior evento esportivo do mundo. Os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna ocorreram em Atenas, Grécia, em 1896. Com participação de 14 países, os primeiros jogos contaram com 241 atletas (todos homens, pois as mulheres eram proibidas de competir), que disputaram as seguintes modalidades: atletismo, ciclismo, esgrima, ginástica, halterofilismo, luta, natação e tênis.
Os Jogos Olímpicos foram criados com o objetivo de utilizar o esporte como instrumento para a promoção da paz, da união e do respeito. Dentre os intuitos principais, está a contribuição para um mundo melhor e a garantia de que a prática de esportes é um direito de todos os seres humanos. O Estatuto Olímpico afirma: “O propósito do Olimpísmo é colocar o esporte a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade, promovendo uma sociedade pacífica e preocupada com a preservação da dignidade humana.”
Olimpíadas de Tóquio 2020
Os Jogos Olímpicos de Verão de Tóquio 2020 ocorreram, de fato, em 2021, após prorrogação por conta da pandemia do COVID-19 que se iniciou no início de 2020. A pandemia instalou um período de muita incerteza e inseguranças para todo o mundo, principalmente para os atletas. Os Jogos de Tóquio começaram um ano após o esperado, quando grande parte da população já estava vacinada e quando os protocolos de segurança estavam estabelecidos.
Os atletas competiram após pouco mais de um ano de isolamento social, o que impactou os treinamentos de muitos. Além disso, os eventos esportivos nas Olimpíadas ocorreram sem presença do público, em esquemas de segurança diferenciados. Mesmo assim, pudemos presenciar momentos históricos de muita superação, que mesmo após toda a tragédia mundial instalada pelo COVID-19, apenas demonstram o que o talento e a dedicação dos atletas são capazes.
Novos esportes olímpicos
Os Jogos de Tóquio 2020 ficaram marcados pela inclusão de cinco novos esportes na lista dos Jogos. As novas modalidades incluídas foram: baseball/softball, caratê, escalada esportiva, skate e surf, somando ao todo 46 modalidades diferentes.
O Comitê Olímpico Internacional (COI) acredita que esta mudança esteja direcionada à “evolução mais abrangente” da história das Olimpíadas, por representarem uma combinação de esportes bem estabelecidos e emergentes, com popularidade significativa em todo o globo. Além disso, os cinco esportes oferecem um foco principal na juventude, que estava no cerne da visão dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Eles incluem esportes de equipe e esportes individuais; esportes indoor e outdoor, além de esportes “urbanos” com forte apelo à juventude.
Representatividade feminina nas Olimpíadas de Tóquio 2020
Para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, o COI afirma tomou várias medidas para promover a igualdade de gênero em todos os eventos: “Prevê-se que Tóquio 2020 seja o país com maior igualdade de gênero e participação feminina”.
Quando as mulheres fizeram sua estreia olímpica nos Jogos de Paris em 1900, apenas 22 de 997 atletas eram mulheres, e elas competiram em apenas cinco esportes. As mulheres não representavam mais de 10% dos participantes até 1952 e não podiam competir em todos os esportes até 2012. Apesar do progresso, as atletas profissionais femininas continuam a lutar por igualdade nos jogos.
As principais mudanças nos Jogos de Tóquio incluem:
– Um total de 18 novos eventos para os Jogos de Tóquio em um esforço em direção à igualdade de gênero.
– Um número igual de mulheres e homens para todos os esportes, com exceção do beisebol e softbol, devido aos diferentes tamanhos de escalação.
– Quase 11.000 atletas são mulheres, e a participação feminina em Tóquio será de 49%, em comparação com 45% nos Jogos do Rio de Janeiro de 2016 e 44,2% nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012.
– Maior número de eventos mistos de gênero.
– Cada país é incentivado a nomear um homem e uma mulher como porta-bandeiras na cerimônia de abertura.
Além dos novos requisitos do COI, cada país tem um número histórico de mulheres competindo nos jogos. Muitos países – incluindo EUA, Austrália, Reino Unido, Canadá e China – anunciaram escalações de equipes que tinham mais mulheres do que homens. A China quebrará o recorde com as mulheres representando 69% de sua equipe de 433 pessoas. O Reino Unido também está enviando mais mulheres do que homens para as Olimpíadas pela primeira vez na história.
Enfoque na saúde mental
Em meio à epidemia global do COVID-19, nos questionamos como seria a performance física dos atletas com todos os efeitos do isolamento social e das restrições de segurança, porém pudemos observar que a saúde mental dos mesmos mereceu mais atenção. Um dos casos mais discutidos foi da ginasta Simone Biles, sete vezes medalhista olímpica e grande aposta da mídia para ganhar mais medalhas. No entanto, uma combinação de preocupações com a saúde mental e um caso de “torção” fez com que ela se retirasse repentinamente das finais de ginástica por equipes femininas e de três outros eventos individuais. Para se afastar e sair da competição para colocar sua saúde mental em primeiro lugar, Biles teve grande maturidade e coragem e, talvez, neste processo, ela se reencontrou.
Outro caso interessante foi do saltador britânico, Tom Daley, ao ser flagrado tricotando nos intervalos das provas nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Tom afirma que começou a tricotar durante a pandemia, para preservar sua sanidade mental durante a quarentena do COVID-19, quando não tinha acesso aos treinos devido aos lockdowns.
Papel social do esporte
As Olimpíadas trazem grandes vantagens para a humanidade, conforme defende Bruce Kidd, professor da Universidade de Toronto e membro honorário do Comitê Olímpico Canadense. Em artigo publicado no site The Conversation, ele afirma que, em um mundo onde cada vez mais os esportes pertencem à esfera privada, os Jogos Olímpicos representam uma grande acessibilidade para o público.
Além disso, é por meio da visibilidade olímpica que os atletas são capazes de atrair apoio e investidores, e, por causa do grande porte da competição, os governos se sentem estimulados a destinar recursos financeiros aos esportes. Kidd destaca também que as Olimpíadas encorajam o intercâmbio educacional e humanitário entre países e têm o papel de incentivar a união entre as pessoas.
Resumindo…
Os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 deixaram mais ensinamentos do que imaginávamos. Sempre pensamos nos atletas e nos esportes como algo inalcançável e inatingível, mas os Jogos apresentaram uma versão muito humanitária, que, em meio à pandemia, apresentou versões “quase-humanas” dos atletas. Além disso, mostrou que algumas atividades são sim consideradas esportes e podem incentivar milhares de crianças e jovens ao redor do mundo a praticar mais esportes. Não foi incrível ver atletas tão jovens como a brasileira Rayssa Leal e a britânica Sky Brown, com apenas 13 anos, serem medalhistas olímpicas no skate? Quão significativo isso será para milhares de meninas que as assistiram?
Também pudemos assistir à eventos em que as performances femininas foram extraordinárias. Com maior representatividade nas Olimpíadas, as mulheres mostram que são incríveis e podem estar onde quiserem, praticarem o que desejarem e serão tão vitoriosas como qualquer um. As vitórias das mulheres nos Jogos Olímpicos trazem esperança para um mundo com mais igualdade de gênero.
Diante de tantas modalidades apresentadas, tantos recordes quebrados, fica explícito o quanto o corpo humano é incrível, por ser capaz de realizar coisas extraordinárias com o treino. Somente nos Jogos Olímpicos temos 46 modalidades diferentes, e ainda há aqueles que não praticam atividade física porque não gostam de nada?
Como mencionado anteriormente, os Jogos Olímpicos foram criados com o objetivo de utilizar o esporte como instrumento para a promoção da paz, da união e do respeito. Ao incluir mais mulheres, mais países, mostrar que não há idade para a prática esportiva, os Jogos utilizam o esporte em prol do desenvolvimento harmonioso da humanidade. Além disso, o esporte é um instrumento muito poderoso para a saúde física, mental e social de cada indivíduo.
Por fim, infelizmente os Jogos Olímpicos de Verão de Tóquio 2020 chegaram ao fim, porém, os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020 estão para começar. São mais alguns dias para assistirmos a muita superação dos atletas e, com certeza, presenciar atuações admiráveis e aprender mais ainda!