Além da emoção, da competição, das vitórias, das derrotas e do esforço, o mundo do esporte também é conhecido pelas lesões que podem acontecer com seus praticantes. É muito comum as manchetes do dia trazerem a notícia do joelho machucado daquele jogador de futebol. Mas quantas vezes você ouviu “Atleta em competição perde urina” ou então “Atleta foi afastada por causa de dor pélvica”. Muito raro, né? E quando vamos ver os números das disfunções pélvicas entre as atletas de diversas modalidades, ficamos assustados, porque são números altos.
Ok, mas o que são as disfunções pélvicas?
Elas são o grupo de disfunções que representam o funcionamento inadequado de alguma estrutura da pelve, como ossos, ligamentos e músculos. Por exemplo, a incontinência urinária na atleta do Levantamento de Peso, a dor pélvica na ginasta, e até mesmo a dor na relação sexual da atleta de Crossfit.
E por que essas disfunções são tão comuns nas Atletas?
Ainda não temos uma resposta definitiva para isso, mas temos algumas hipóteses. Uma delas é que as atividades esportivas geram um aumento importante na pressão dentro do abdômen, principalmente nos casos de exercício de alto impacto (vôlei, trampolim, ginástica), ou nos exercícios em que o uso de muita força é necessário (CrossFit, judô). Isso faz com que possa haver fadiga dos músculos do assoalho pélvico ou então dano das estruturas da pelve, dificultando a função de manter a continência. Mas também temos os fatores individuais, como genética, história, estilo de vida e fatores hormonais.
E qual o impacto disso na vida dessas atletas?
Muitas vezes, mulheres com essas disfunções acabam se afastando da prática de exercício físico por causa do incômodo que elas trazem. São observados impactos físicos como diminuição do desempenho, dificuldade de realizar o gesto esportivo e redução da hidratação, mas também psicológicos, incluindo constrangimento e falta de concentração. E além de tudo isso, por ser um tipo de disfunção pouco falado, muitas vezes até um tabu, são raras as medidas preventivas ou até então o rastreamento dessas disfunções dentro das equipes e por parte dos treinadores. Em algumas modalidades, as pessoas consideram normal a perda urinária em algum momento da atividade, como na hora de pegar muito peso. Porém lembre-se: perder urina NUNCA é normal.
Se alguma dessas disfunções está acontecendo com você não se desespere! Tem solução! Na fisioterapia pélvica há abordagens importantes como análise do gesto esportivo, avaliação do assoalho pélvico e adequação de hábitos que podem se relacionar com a sua disfunção. E se você não tem nenhuma disfunção mas quer se prevenir, não pense duas vezes, procure uma avaliação e invista no seu cuidado!
Referências:
1. Almeida MBA de, Barra A de A, Figueiredo EM de, Velloso FSB, Silva AL da, Monteiro MVC, et al. Disfunções de assoalho pélvico em atletas. Femina. 2011;395–402.
2. Silva RDM, Paula M, Gracio M, Sartori F, Paula A, Resende M. Arquivos de Ciências do Esporte The sports practice and the female pelvic floor : a literature review. Artigo de Revisão. 2019;7(1):2–7.
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